sobre os lentos passos de minha caminhada inebriante
a neve se põe a recostar castos e letárgicos olhares
como se transformasse velhas pegadas em regiões polares
e pudesse trocar o tempo por um congelado instante

peço a outros sóis de volta o calor que outrora me era um esteio
para que me preencham as pálpebras com uma energia tamanha
que meus olhos vejam somente por velhos caminhos e entranhas
a passagem que abrem o vento e esses pássaros estrangeiros

e é esta janela, de onde saem todos os meus desejos e aflições,
quem me prende nessas manhãs eternas de um inverno fugaz
em que a solidão me torna num ermitão sem espelhos ou orações

ante a reclusão imposta por este esquife em que são inaudíveis as lições
e sem reflexos de mim mesmo, mergulho-me numa terra mordaz
prestes a, banhado em sangue e lama, reeguer-me junto às monções