ela ainda é jovem
em sua vida um mosaico,
feito de retalhos da própria existência
olhos belos se movem,
a observar um passado arcaico
para espantar esse espantalho, clama paciência
os céus a respondem
e, de seu coração prosaico,
libertam o fel, conclamando doce vivência
“os desejos tudo podem”,
revelava a si mesma.
ainda que os guardasse entre parênteses,
esses prestavam-lhe reverências,
ansiosos por serem libertos
ainda que fosse apenas aparente,
essa fugaz e deletéria incoerência
não deixava seus pensamentos quietos
afinal, via-se nela o que não se sente:
esta sagaz e etérea alma de inocência
tem, em sua afabilidade, o caminho certo
de voz baixa e jeito sutil,
conquistou-me um espaço no céu,
pois, mesmo que eu possa ser réu,
tornara-se em vida mito desse ser vil.

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