prostro-me ante à tela
não demoram a vir sede e fome
enquanto faço do sofá cela
e no desespero de um sem-nome
enfio em mim garfo e fada
alimento um desejo forte
o de construir tudo sobre nada
juntos, com um pedaço da sorte
- e me nutro do acaso temperado
por um rasgo de sangue
que verte de minha virtuose
vinda do mais clássico bang-bang
assim vivo feliz – na trombose
afinal, frente ao ensejo torpe,
hei de me entorpercer


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